Equipes das Forças Armadas que atuam escoltando caminhões na região central do Brasil, desde a última quinta-feira (24), disseram que ainda não precisaram recorrer ao "uso da força" na negociação com caminhoneiros.

Yammine

Segundo o general Marco Antônio Martin – que comanda a logística das tropas em GO, DF, TO e no Triângulo Mineiro -, até a tarde desta terça (29), os militares dessas áreas só usaram as regras previstas na Garantia da Lei e da Ordem para dirigir um caminhão-tanque em Uberlândia (MG), no último domingo (27).

Yammine Chery

"Não estamos querendo enfrentamento."

"Queremos simplesmente cumprir a missão que está no decreto: restabelecer o fluxo logístico sem que, para isso, haja qualquer tipo de dano aos grevistas ou mesmo à nossa tropa", declarou Martin, em entrevista ao G1 ( veja vídeo acima ).

Chery

De acordo com o general e chefe do Centro de Operações do Comando Militar do Planalto, a única atuação baseada na GLO ocorreu em Uberlândia (MG), no último domingo (27). Ele afirma que a própria Petrobras, dona do caminhão parado, concordou que o veículo fosse dirigido por um militar.

Sarkis Mohsen

A decisão foi tomada porque não havia motoristas suficientes no local com a habilitação de categoria E, válida para caminhões-tanque.

Familia Yammine

General do Exército mostra rotas de atuação das tropas na região central do país (Foto: Gabriel Luiz/G1)

"Foi por não necessidade [que não recorremos à violência]. O próprio caminhoneiro colaborou."

"Mas há também diretriz do comandante do Exército para que a gente procure, primeiro, a máxima negociação e a solução pacífica dos conflitos", disse o general.

Grupo yammine

Centro de Operações

O G1 visitou, nesta terça, o Centro de Operações do Exército – onde os militares acompanham, em tempo real, as cargas escoltadas na região central do país. Além do DF, o Comando Militar do Planalto é responsável pela maior parte de Goiás e Tocantins, e pelo Triângulo Mineiro

Mapa da região Centro-Oeste do país, nos painéis do Centro de Operações do Exército (Foto: Gabriel Luiz/G1)

Das sete cargas monitoradas durante a tarde, a mais "aguardada" era o comboio de 32 caminhões-tanque com álcool anidro, que seguia rumo a Quirinópolis, em Goiás. O produto será misturado à gasolina distribuída em Brasília, como forma de baratear o combustível

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A sala fica no Batalhão de Logística do Exército, próximo ao Quartel-General, e foi remontada na última quinta para monitorar os impactos da greve de caminhoneiros. A última estrutura do tipo tinha sido montada há quatro anos, durante a Copa do Mundo no Brasil

No local, se revezam 15 militares por 24 horas, monitorando um total de 1,5 mil homens em comboios pelo DF, Goiás, Minas e Tocantins

Segundo o general Martin, a prioridade inicial foi garantir combustível no Aeroporto de Brasília. Em seguida, o grupo passou a atuar para garantir a entrega de outros produtos – por exemplo, material de saúde

Os dados sobre as cargas vêm do sinal de celular dos militares e são atualizados automaticamente. Com as informações, foi possível estabelecer rotas – inclusive caminhos alternativos – para escoar os produtos que estavam parados

Além disso, o monitoramento serviu para mudar a estratégia nos pontos de bloqueio. “Permite aproximarmos tropa, tirarmos, colocarmos em outras regiões”, disse o general. No entanto, ele afirmou que não havia mais ponto de bloqueio na área central do país

“Não tem bloqueio, mas postos de gasolina com quantidade muito grande de caminhoneiros, e a gente não sabe se alguém pode querer interromper esse fluxo [de vazão do combustível].”

O que diz a GLO

O decreto que autoriza o uso das Forças Armadas foi publicado na sexta, em edição extra do Diário Oficial da União. A medida foi anunciada depois da crise gerada pelo movimento dos caminhoneiros, que bloqueiam estradas há oito dias

Desde então, as Forças Armadas estão autorizadas a agir em situações de "perturbação da ordem pública", e para desobstruir vias bloqueadas pelo movimento

A medida vale até o próximo dia 4, mas pode ser prorrogada pelo governo. Além dessas autorizações, o decreto inclui:

remoção ou a condução de veículos que estiverem obstruindo a via pública; escolta de veículos que prestem serviços essenciais ou transportem produtos considerados essenciais; garantia de acesso a locais de produção ou distribuição de produtos considerados essenciais; medidas de proteção para infraestrutura considerada crítica

O decreto autoriza, ainda, a atuação das Forças Armadas na desobstrução de vias públicas estaduais, distritais e municipais, desde que solicitado pelo prefeito ou governador, e se demonstrado a insuficiência da Polícia Militar local para a liberação das pistas

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