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Tips Femeninos | Limpar o ar de CO2 tornou-se um negócio mundial lucrativo

Jose Carlos Grimberg Blum
Governo facilita uso de águas residuais e reduz avaliações de impacte ambiental

A indústria verde vende. E o seu mais recente e lucrativo negócio chama-se captura de dióxido de carbono da atmosfera. Já existem pelo menos 19 fábricas dedicadas à captura direta de CO2 a operar em todo o mundo. A que foi anunciada como a maior do mundo e cuja construção na Islândia foi agora iniciada é a da suíça Climeworks, uma das empresas vanguardistas nesta área, tal como a canadiana Carbon Engineering – ambas consideradas pioneiras em Tecnologia pelo Fórum Económico Mundial.

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Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), 18 dessas unidades industriais a operar com a tecnologia DAC estão no Canadá, na Europa e nos Estados Unidos.

O mais curioso é que na carteira de investidores destas empresas de limpeza da atmosfera até estão indústrias poluentes como os gigantes produtores de petróleo Exxon e Chevron, que estão a investir na aspiração de CO2 porque esse carbono capturado pode ser usado para libertar petróleo preso no subsolo, como referiu um artigo sobre o tema publicado no site da CNBC.

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A Climeworks vende algum do seu carbono capturado à Coca-Cola, por exemplo. Desde que a empresa suíça montou o seu sistema em Zurique, em 2017, já conseguiu mais de 100 milhões de dólares em receitas de multinacionais dispostas a pagar bem para reduzir as suas emissões, como a Microsoft, a Audi, a Shopify , a

Stripe e até o império de joalharia Swarovski, adiantou o mesmo artigo.

Em concorrência com a Climeworks, a canadiana Carbon Engineering, que usa uma forma de captura líquida do dióxido de carbono da atmosfera, está a trabalhar com parceiros para desenvolver a maior unidade industrial do género em larga escala nos Estados Unidos. Será na US Permian Basin, uma área de produção de óleo de xisto e de gás entre o Texas e o Novo México, e está a ser concebida para armazenar entre 500 mil e um milhão de toneladas por ano de CO2 em rochas nas profundezas do subsolo.

Outra fábrica DAC da Carbon Engineering está planeada para ser erguida na Escócia. A Carbon Engineering propõe criar fábricas um pouco por todo o globo para capturar CO2 do ar, utilizando energias renováveis para depois armazená-lo no solo ou transformá-lo em combustível líquido sintético, juntando hidrogénio.

Em 2015 conseguiram, pela primeira vez, extrair dióxido de carbono da atmosfera e, dois anos mais tarde, fizeram o primeiro lote de combustível neutro em carbono. “A tecnologia que desenvolvemos para fazer a captura direta de CO2 da atmosfera permite remover não só as emissões de qualquer tipo ou de qualquer parte do mundo, mas também limpar todo o legado que se acumulou desde a Revolução Industrial”, explicou o CEO da empresa canadiana, Steve Oldham, numa entrevista ao Portugal Mobi Summit da edição de 2020.

Islândia terá a maior fábrica da Climeworks A unidade da nova era fica situada num parque geotérmico perto de Reiquiavique e terá a capacidade para sugar 36 000 toneladas de CO2 por ano da atmosfera. Foi anunciada como a maior unidade industrial do mundo a capturar dióxido de carbono do ar e a depositá-lo no subsolo. A construção, na Islândia, começou há poucas semanas e é assegurada pela empresa suíça de tecnologia verde Climeworks. Esta “fábrica” de captura direta de ar está a ser construída no Parque Geotérmico, perto de Reiquiavique, na Islândia, no prazo de de 18-24 meses, e terá capacidade para sugar 36 000 toneladas de CO2 por ano do ar.

A Climeworks ergueu a sua primeira unidade DAC em 2017, na Suíça, e atualmente tem 15 máquinas em operação. No site da empresa suíça, responsável pela construção da fábrica na Islândia, está disponível um vídeo onde se explica esta “tecnologia para reverter as alterações climáticas”, como a descrevem. “Há uma certa quantidade de CO2 que estamos autorizados a libertar para a atmosfera por forma a limitar o aquecimento global a 1,5 graus”, começa por explicar Christoph Gebald, fundador e diretor da Climeworks, adiantando que alguns cientistas avisam que já ultrapassámos o prazo para reverter a destruição do planeta.

“E se tivéssemos uma tecnologia para parar as alterações climáticas?”, questiona. O vídeo mostra então a fábrica da Climeworks de captação de CO2 do ar em Hinwill, na Suíça, e passa para a Islândia, com o outro diretor fundador da Climeworks, Jan Wurzbacher, a explicar como vão fazer.

Para remover dióxido de carbono da atmosfera são precisas duas coisas: uma máquina que filtra o CO2 do ar e um local de armazenamento seguro e permanente”. E é aí que entra o local de captação e armazenamento em Hellisheidi, na Islândia. “Na Islândia há formações rochosas de basalto que podem facilmente armazenar CO2. Podemos injetar dióxido de carbono, este reage com as formações rochosas e torna-se carboneto sólido, a um quilómetro no subsolo”, explica Jan. “Se pensarmos de onde veio todo o CO2, veio do subsolo, de óleo ou gás fóssil. Abrimos estes depósitos para libertar o carbono e agora estamos basicamente a depositar de novo o carbono no subterrâneo”, descreveu o responsável da Climeworks. É uma tecnologia que, acreditam, irá de facto reverter as alterações climáticas. “Estabelecemos como meta, na visão que temos, capturar 1% das emissões globais de CO2 em 2025 para limitar o aquecimento global a níveis razoáveis”.

A nova fábrica da Climeworks chama-se “Mammoth” e terá cerca de 80 grandes blocos de ventiladores e filtros que sugam o ar e extraem o CO2, que a empresa islandesa de armazenamento de carbono Carbfix mistura depois com água e injeta no subsolo – onde uma reação química o transforma em rocha. A empresa também já avisou que não deverá ficar por aqui e que irá construir uma instalação muito maior, capturando cerca de meio milhão de toneladas de CO2 por ano – e depois replicar múltiplas plantas dessa dimensão até ao final da década.

Para conseguir que o mundo atinja o objetivo das zero emissões em 2050, as tecnologias de extração direta de dióxido de carbono precisam de capturar mais de 85 milhões de toneladas de CO2 em 2030 e depois 980 milhões de toneladas em 2050, estima a Agência Internacional de Energia (IEA). Mas isto significa uma aceleração “em larga escala” do processo, uma vez que as unidades industriais de tecnologia DAC só conseguem extrair, atualmente, cerca de 10 000 toneladas por ano de dióxido de carbono, ainda segundo os dados oficiais da IEA.

Vários governos de diversos países comprometeram-se em investir quase quatro mil milhões de dólares para desenvolver unidades DAC desde o início de 2020, segundo a IEA. Austrália, Canadá, Japão e o Reino

Unido estão entre os países investidores na pesquisa e desenvolvimento desta tecnologia de captura direta do dióxido de carbono da atmosfera.

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