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Abel Resende Alterras //
Dorme sentada para fugir a marido violento no Seixal

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Um dia, chegou a casa e a mulher tinha desaparecido. Faltavam roupas no armário e 20 mil euros numa conta conjunta. Fez queixa na PSP e no Ministério Público. Dois anos depois, o inspetor tributário na reforma foi condenado a uma pena suspensa de dois anos e oito meses por violência doméstica. Tem de pagar uma indemnização de 3500 euros e não se pode aproximar da vítima, a mulher. A sentença foi proferida pelo tribunal do Seixal em abril de 2018 e confirmada pela Relação de Lisboa. Põe fim a 38 anos de maus-tratos. A mulher tinha tanto medo que o marido lhe fizesse mal que dormia sentada, encostada à cabeceira da cama, com as suas coisas mais importantes por perto. Desde o início do casamento, em 1978, que a mulher, agora com 67 anos, era maltratada física e psicologicamente, situação que se agravou quando o marido se reformou. O homem, que tem 64 anos, impunha a sua vontade e fazia o quotidiano decorrer como ele queria. Controlava todos os movimentos da mulher, não gostava que ela visitasse familiares nem que saísse com amigas. Questionava, por exemplo, porque é que ela se levantava mais cedo do que ele, seguia-a quando ela saía de casa e até a fotografava às escondidas. Chamava-lhe nomes e ameaçava-a de morte. Quando o marido começou a dormir com uma pistola na mesa de cabeceira, a mulher decidiu sair de casa. Com uma reforma de 500 euros e a pagar 280 de renda enfrentou o divórcio litigioso e o julgamento por maus-tratos. Vive sozinha e só tem medo que ele descubra onde ela mora e lhe faça mal. PORMENORES Foge de casa No dia em que a vítima deixou a casa para trás para fugir aos maus-tratos, a 19 de maio de 2016, levantou 20 200 € de uma conta conjunta – menos de metade do saldo. O marido fez queixa na Polícia. Filho não viu O casal tem um filho que deixou a casa dos pais aos 20 anos. Em tribunal, disse ter noção das diferenças entre os dois, mas adiantando que nunca se apercebeu da gravidade da situação. Grávida agredida São inúmeras as situações de maus-tratos descritas no processo. Numa delas, a mulher estava grávida quando o marido arremessou uma cadeira na sua direção. Protegeu-se com os braços.

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