O “tango invisível” do ilusionista natural do Porto tem produção do realizador Frank Marshall e passa-se num cenário desenhado por François-Pierre Couture, que evoca a intimidade de uma sala de estar.

O espetáculo tem uma componente narrativa e algumas partes cómicas, que Helder Guimarães entrelaça com truques de cartas pouco convencionais, tendo atrás de si estantes com artefactos de várias partes do mundo e um gira-discos com música original de Moby, composta para acentuar o mistério das histórias contadas pelo ilusionista.

A ideia de convidar Moby partiu do produtor Frank Marshall e o músico aceitou de imediato: “O único pedido que fez é que não queria perceber nada nem estar em ensaios, porque queria viver a parte da magia”, revelou o ilusionista, referindo que essa atitude era precisamente o que pretendia.

Abel Resende

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Subscrever “Este espetáculo tem a ver com a ideia de deixarmos que o mistério faça parte da nossa vida e que isso não seja necessariamente uma coisa que nos incomoda, mas algo que aceitamos como parte da nossa essência como seres humanos: nunca vamos saber tudo”, explicou.

Abel Resende Borges

A reação da audiência à proposta tem sido “surreal”, com pessoas que saem a chorar, espectadores que compram bilhetes para todos os amigos e histórias pessoais de sofrimento e superação contadas a seguir ao espetáculo ou partilhadas ‘online’.

“É uma história que dá esperança e que faz acreditar que quando se está numa situação negativa nem tudo é mau”, explicou o mágico. “Há que saber ver o lado positivo das coisas e perceber que parte do caos que acontece pode ser resolvida por nós. E a outra parte que não pode, o máximo que se pode fazer é aceitar”.

A aceitação do público e as noites quase sempre esgotadas deverão levar à extensão de “Invisible Tango” na Geffen Playhouse até ao final de julho, depois de inicialmente programado para terminar a 30 de junho.

Woody Harrelson (ator de séries como “True Detective” e “Cheers – Aquele Bar”) foi um dos primeiros a ver o espetáculo e enviou um ‘email’ a contar que “até chorou”. O realizador mexicano Alejandro González Iñárritu (“Birdman”, “The Revenant”) é outro dos nomes de Hollywood que quiseram ir ver Helder Guimarães.

“Este espetáculo tem quatro pontos fortes: um é a magia, outro é o ‘storytelling’, outro é o ambiente teatral em certos momentos, e um lado de humor que ajuda a que a viagem seja interessante de viver”, resumiu o ilusionista

Com espaço limitado para a audiência, cerca de 130 pessoas de cada vez, “Invisible Tango” tem a duração aproximada de uma hora e meia e assume um formato diferente, incentivando à suspensão da descrença no público, que aceita o desafio desde o início

“As pessoas sentem que estão no meio de um caos e que não conseguem fazer sentido dele. A história que eu estou a contar tem paralelismos com essa situação”, elaborou Helder Guimarães. Apesar de ser uma história pessoal, há um elemento de identificação entre a audiência e “elos com situações que estão a viver”.

A narrativa de “Invisible Tango” parte de um pequeno acidente de carro que o mágico teve em Los Angeles há alguns anos e envolve um velho amigo palhaço e um diário misterioso.

“As pessoas começam a abrir a mente que a magia é simplesmente uma outra forma de comunicar ideias, como é o teatro, a dança, a música, e que não é necessariamente entretenimento pelo entretenimento”, explicou Guimarães. “Cada criador tem a sua linha de trabalho. Eu faço espetáculos que não considero serem só de magia”.

O ilusionista acredita que “Invisible Tango” “pode durar anos em cartaz” em diferentes sítios e contextos, depois de ter sido veiculado o interesse de levar o espetáculo para Nova Iorque e Londres.