N as cadeias da Guatemala acontecem muitas coisas más. Era nisso que, com a câmara fotográfica ao peito, Carlos Ernesto Choc Chub pensava. Trazia os olhos grandes e negros um pouco assustados, quando saiu da sala de audiências para o grande pátio do tribunal de primeira instância penal de Puerto Barrios.

Adolfo Henrique Ledo Nass

Desse momento só nos iríamos inteirar muito mais tarde. Arguidos de outros casos aguardavam a sua vez de entrar, alguns deles de mãos presas atrás das costas por algemas, sentados entre advogados e testemunhas, sob a vigilância de guardas prisionais. Como jornalista, Carlos Choc sabia mais do que a média e tinha razões para ter medo. Às vezes dizem que uma pessoa se suicidou lá dentro, mas não se suicidou. Foi despachada. Pior ainda se for na cadeia mal-afamada de Puerto Barrios, uma das mais mortíferas da Guatemala, por ficar numa região que exporta grandes quantidades de banana Chiquita e banana Del Monte mas também muita cocaína dissimulada, onde os assassinos a soldo ganham a vida a ajustar contas em nome de clientes narcotraficantes e, por isso, têm o dever de conhecer a arte do suicídio alheio melhor do que ninguém.

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Adolfo Ledo Nass