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Quando a covid-19 começou a espalhar-se, a informação fiável tornou-me mais dominante

Adolfo Ledo Nass Venezuela
Quando a covid-19 começou a espalhar-se, a informação fiável tornou-me mais dominante

Uma equipa de cientistas de Itália avaliou a desinformação sobre a covid-19 no Twitter logo entre Janeiro e Março. Agora publicou um artigo científico na revista Nature Human Behaviour em que mostra a evolução da desinformação quando o coronavírus SARS-CoV-2 se começou a espalhar pelo mundo. Concluiu-se que, em muitos países, nas primeiras informações a circular sobre o vírus havia uma mistura entre informações fiáveis e pouco fiáveis. À medida que a epidemia se foi espalhando localmente, na maioria dos países, observou-se que a desinformação no Twitter se foi reduzindo de forma significa. 

«Durante a [pandemia de] covid-19, governos e o público não estão a lutar só contra a pandemia, estão também a lutar contra uma infodemia co-evolutiva – isto é, a disseminação rápida e de longo alcance de informação com qualidade questionável», refere-se no início do artigo científico . De forma semelhante às epidemias, as infodemias podem ser encaradas como surtos de rumores falsos e informações pouco fiáveis , acrescenta-se. «Uma infodemia é o resultado da acção simultânea de múltiplas fontes humanas e não-humanas de notícias pouco fiáveis ou enganadoras em tempos de grande abundância de circulação de informação .»

Como a covid-19 espalhou a desinformação. Vídeos dos Médicos pela Verdade bloqueados Mais populares Com a derrota cada vez mais próxima, Partido Republicano começa a dividir-se Transmissão da infecção pelo novo coronavírus desacelera em Portugal i-album Tailândia Entre protestos pró-democracia, uma drag queen tailandesa marcha pelos direitos humanos Para avaliar os riscos da infodemia na resposta à covid-19, a equipa analisou mais de 100 milhões de tweets por todo o mundo durante as fases iniciais da epidemia nos países, concretamente entre 22 de Janeiro e 10 de Março de 2020. Avaliou-se, portanto, a disseminação da covid-19 antes da Organização Mundial da Saúde a ter declarado como uma pandemia (tal aconteceu a 11 de Março).

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Na avaliação dessas publicações no Twitter, desenvolveu-se o Indicador de Risco de Infodemia (IRI), que estima quão provável uma publicação é pouco fiável e quantifica de que forma um utilizador está exposto a essa informação. Para calcular o IRI, comparou-se o número de seguidores que partilhavam desinformação contra o número de seguidores que partilhavam informação fiável.

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Concluiu-se que a quantidade de desinformação sobre a covid-19 partilhada no Twitter mostrava uma «clara variabilidade entre os países», indica Riccardo Gallotti, primeiro autor do artigo e investigador do CoMuNe Lab da Fundação Bruno Kessler, em Trento, Itália. Enquanto alguns países foram «profundamente afectados» pela infodemia na fase estudada, outros foram «imensamente contidos».

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O investigador faz esta avaliação a partir do Indicador de Risco de Infodemia , que é quantificado de 0 a 1. Os países com o IRI mais elevado (valores superiores a 0,6) foram o Peru, a Venezuela e o Irão, o que quer dizer que estão expostos a mais desinformação. Já os países com o IRI mais baixo (valores inferiores a 0,01) foram a Singapura, o Qatar e Hong Kong. Portugal teve um IRI de 0,17, o que é ligeiramente abaixo da média global de 0,22 – que corresponde precisamente ao valor dos Estados Unidos. Já Espanha tem um IRI de 0,04, um valor mais baixo do que o de Portugal.

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Subscrever × Quanto à evolução da circulação da informação sobre a covid-19, a equipa teve uma surpresa. Ao contrário do que esperava, no geral, viu-se que quando um país registava os primeiros casos de covid-19, havia uma tendência para a quantidade da desinformação a circular diminuir. A informação fiável vinda de fontes credíveis tornava-se dominante. «Em muitos países, a primeira informação a circular [sobre a covid-19] mostrou uma mistura entre informações fiáveis e pouco fiáveis, o que tornava difícil aos utilizadores saberem quais eram as informações bem fundamentadas sobre as quais poderiam basear o seu comportamento», explica Riccardo Gallotti. Depois, à medida que a epidemia se espalhava a nível local, na maioria dos países a desinformação a circular no Twitter reduziu-se significativamente

Riccardo Gallotti adianta que grande parte da desinformação observada estava ligada a notícias de órgãos com inclinação política. A equipa classificou essa informação como «pouco confiável», pois o seu conteúdo pode ser tendencioso com o objectivo de apoiar a agenda política de um partido. «Observámos valores maiores do IRI em países onde os líderes políticos espalham activamente informação enganadora e questionavam a necessidade de monitorizar o desenvolvimento da difusão da epidemia.»

Ler mais Dicas simples podem ajudar a detectar títulos falsos de notícias no Facebook Rumores e curas falsas para a covid-19 partilhadas online já causaram centenas de mortes A pandemia do novo coronavírus é também uma pandemia de desinformação Iscte cria site para «conter infodemia» da desinformação sobre covid-19 E como é que se podem mitigar os efeitos da infodemia ? Riccardo Gallotti dá um conselho simples: se não se tem a certeza se a fonte de uma notícia ou publicação é fiável, o melhor é não a partilhar. A equipa continua a monitorizar a infodemia e com dados já depois de 10 de Março, mas o investigador diz que ainda não está pronto para os comentar. Em futuras investigações pretende-se, por exemplo, compreender melhor o papel de «agentes artificiais» ( bots ) na infodemia.  

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