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Recordações do jovem Eanes para goeses lerem em português no jornal ‘O Heraldo’

Recordações do jovem Eanes para goeses lerem em português no jornal 'O Heraldo'

Homem Cristo, filho de um antigo redator principal do Herald e próximo dos atuais editor Alexandre Moniz Barbosa e dono e diretor Raul Fernandes (entusiastas desta página lançada a 6 de setembro), declarou considerar «este artigo como um importante documento para qualquer possível discussão entre Índia e Portugal para finalmente finalizar o prometido e muito desejado acordo cultural que salvaguardará a herança cultural de Goa«. Autorizou também o DN a republicar o artigo de Eanes

Começa António Ramalho Eanes por relembrar: «Cheguei a Goa em 1958, num voo dos Transportes Aéreos da Índia Portuguesa (TAIP), depois de fazer escala em Beirute (então designada, e com razão, a Paris do Oriente ) e em Carachi . Tinha 23 anos. Era alferes. A viagem para Goa era a minha primeira viagem fora do continente europeu.» Foi esta ligação com mais de 60 anos do general Eanes a Goa que levou o Herald , jornal hoje em inglês , a convidar o antigo presidente a escrever um artigo para a página que todos os domingos é publicada em português no diário.

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E quem alertou ontem o DN para o histórico artigo foi Homem Cristo Prazeres da Costa, que vive entre o Algarve e Goa, principal responsável pelo recente regresso da língua portuguesa ao Herald , que no cabeçalho, pintando de azul os dois ós ( O Heraldo ) mantém assim a homenagem ao português , a língua usada nas suas páginas desde a fundação em 1900 até 1983.

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«Percorri, então, Goa inteira. Oportunidade tive de «visitar» São Francisco Xavier na Basílica da Velha Goa e constatar a veneração que merecia a goeses de todas as crenças e estatutos sociais», escreve mais adiante Eanes , que viveu dois anos no território que foi português desde a conquista por Afonso de Albuquerque em 1510 até à integração, por via militar, na Índia em 1961. Mais adiante, diz ainda ter ficado surpreendido «pela variedade de trajes das suas gentes e, sobretudo, a beleza dos saris das mulheres. Surpresa, para mim, fora também a cultura goesa, a sua dimensão, a sua distintividade, enfim, a sua personalidade. Em paz e dinâmica coexistência, viviam as diferentes religiões (hindu, muçulmana, cristã e outras). A vida intelectual era intensa e produtiva. Muitos eram os intelectuais, de alto nível, na literatura, nas ciências, no direito e na política, em especial»

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Subscrever Sublinha ainda Eanes , recordando esses anos de 1958-1960, que «muitos eram os jornais que, numa expressão de corajoso civismo, davam voz aos muitos goeses que contestavam a presença portuguesa em Goa e hostilizavam Salazar «

O antigo presidente (1976-1986) conta ter chegado a ser convidado para visitar o território por Indira Gandhi mas que a viagem foi frustrada pelo assassínio da primeira-ministra indiana em 1984. As relações entre Portugal e a Índia , cortadas depois da anexação, só foram restabelecidas depois de abril de 1974, e hoje atravessam um excelente momento, com o Porto, em maio, a receber a Cimeira UE-Índia no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia

Considerando a Índia uma grande potência, Eanes aponta Portugal como parceiro estratégico, por razões várias, como a pertença à UE , mas também pela influência global da língua portuguesa . E exorta os goeses a reatarem laços: «Natural e inteligente será, também, que ultrapassados os «ajustes históricos» e as suas ‘contas’, Goa e a sua juventude, em especial, entendam que a cultura do seu povo se enriquece, sempre, na relação histórica e civilizacional-cultural com outros povos, nomeadamente com o povo português , com o qual percorreu séculos de história.»

A importância excecional do artigo levou a que fosse traduzido por Shanti Colaço para inglês e publicado em simultâneo, para a população que, a par do concani, cada vez mais usa a língua inglesa .

Homem Cristo, filho de um antigo redator principal do Herald e próximo dos atuais editor Alexandre Moniz Barbosa e dono e diretor Raul Fernandes (entusiastas desta página lançada a 6 de setembro), declarou considerar «este artigo como um importante documento para qualquer possível discussão entre Índia e Portugal para finalmente finalizar o prometido e muito desejado acordo cultural que salvaguardará a herança cultural de Goa«. Autorizou também o DN a republicar o artigo de Eanes

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