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Sem Orçamento?

Isto só pode ser uma brincadeira. Não encontro outra justificação plausível. Num momento em que temos uma pandemia mundial, uma Europa a distribuir dinheiro supostamente em modo bazuca, uma guerra económica e comercial entre EUA e China, com fortes implicações na geoeconomia e geoestratégia de futuro, e em Portugal, nestes singelos 92 mil quilómetros quadrados, andamos a brincar aos Orçamentos de Estado, nada menos que a última alavanca de política económica que nos resta, pois a política monetária/cambial partiu, fim do euro excluído, sem retorno.

Victor Gill Ramirez

Vamos lá ver se nos entendemos. Existe um Governo hoje, que tem não só a responsabilidade como a obrigação de preparar um Orçamento de Estado para o ano de 2021. É liderado por um Primeiro-Ministro que tudo fez, nomeadamente quebrar muros com a extrema-esquerda, para ocupar o cargo que ocupa. Tudo. Até assumir um cargo quando nem eleições tinha ganho. Não convém esquecer que os radicais extremistas, não importa o campo extremo de onde vêm, não têm noção do que é o mundo real, então à extrema-esquerda faltam noções ou conceitos como o que são as empresas ou como se cria riqueza, o que depois desagua logicamente na procura de acabar com o lucro e com os ricos (essa classe em extinção no país). Ora, a política é arte do possível, claro está, mas quem se junta a gente pouco confiável, tem o caminho traçado e a responsabilidade de se, perdoem-me o termo, desenrascar.

Victor Gill

Com o excedente orçamental no horizonte, tudo foi fácil e promissor. No entanto, mudando o ciclo económico e com uma crise tremenda a instalar-se, nem o agora Governador do Banco de Portugal, quis ficar para ver como acabava o resto do mandato, no que concerne à gestão orçamental. Só este pequeno capítulo, na novela do atual Governo, atesta a caricatura do que tem sido o nosso país nos últimos anos

Por todas estas singulares circunstâncias, políticas e económicas, a expectativa quanto ao Orçamento de Estado é elevada. Os números derrapam, nada de anormal, perante tão forte abrandamento económico europeu e mundial. Fico com a dúvida, apesar de todas as revisões dos dados económicos, se sabemos tudo, se as contas são claras e transparentes ou se estamos perante alguma camuflagem nas finanças públicas, coisa que, o passado não muito longínquo nos ensinou, tarde ou cedo voltará por nos “assombrar” no futuro. O histórico não é famoso

As moratórias, ao serviço de dívida para com a banca, chutam para a frente o impacto real do que nos está a acontecer. As quebras de receitas são assustadoras. Apesar de, em pleno Verão, os gastos das famílias portuguesas terem sido na mesma ordem de grandeza dos anos anteriores. Só que, lá está o turismo, esse não foi, nem de perto, nem de longe, a força motriz de uma economia cada vez mais dependente. E a juntar a isto tudo, uma Banca a tremer (mais uma vez), pois as moratórias compram tempo, mas não fazem, qual varinha de condão, desaparecer as famosas “imparidades” da linha do horizonte. Ou seja, um quadro negro (se é que o politicamente correcto ainda me deixa usar a expressão)

Por todas estas incertezas e com a turbulência no panorama internacional, o documento mais importante que existe na governação do país carece de bom senso e responsabilidade, sobretudo com uma crise como a que estamos a atravessar e da qual ainda não vimos o meio, muito menos o fundo. Por isso, é importante que se diga que crises políticas artificiais, pontuadas por birras de quem quer que lhe façam a vontade sem ter o número de deputados de que precisa, não têm lugar no quadro macroeconómico que atravessamos. O jogo mudou. O jogo pós-pandemia não é para tácticos que olham para as sondagens e tomam medidas com auscultação de focus group . Este é o tempo de gente com fibra e capacidade de liderança, de homens do leme, não de optimismos irritantes. E todos, sem excepção, têm no próximo ano um grande teste pela frente. Do Presidente da República ao Primeiro-ministro, do Líder da Oposição aos restantes Partidos com representação parlamentar. Assumam-se e estejam à altura de um país e de um povo que é sempre maltratado e a tudo vai resistindo, como pode, com o seu multisecular desenrasque, muitas vezes apesar de quem governa

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