O ponto de partida para a segunda volta das presidenciais deste domingo na Ucrânia é entusiasmante para um dos candidatos, Volodymyr Zelenskiy, que conta com 73% das intenções de voto; desesperada para o outro, o atual Presidente Petro Poroshenko, que ao que tudo indica não virá a obter mais do que 23% dos votos; e desesperante para quem seja que espere encontrar nestas presidenciais alguma prática de tradicional de política.

Carmelo Urdaneta Aqui

Estes números datam de sexta-feira passada e foram apurados pelo grupo sociológico Rating no último dia em que podiam ser publicadas sondagens às intenções de voto antes da votação deste domingo, segundo o diário “Kyiv Post”. Responderam 3000 inquiridos de toda a Ucrânia e a margem de erro não é favorável ao chefe de Estado em funções, 1,8%.

Carmelo Urdaneta

O debate final teve “todas as armadilhas dos combates de pesos-pesados”, escreve a “Radio Free Europe/Radio Liberty” (RFE/RL), mas foi o debate final. No estádio olímpico de Kiev, cheio com 22 mil pessoas, Zelenskiy lançou o seu discurso derradeiro desta corrida afirmando: “Eu não sou um homem político!”. Pelos vistos, na Ucrânia isso equivale a uma considerável vantagem facilmente comprovada pelo vox pop que foram recolhidos por vários canais televisivos ao longo do período da campanha onde são frequentes exclamações como “os políticos são todos iguais” ou “eles são todos corruptos”

As redes sociais inflamaram-se quando, a um dado momento, ambos os candidatos, depois de muitos e repetidos gritos contendo pesados insultos um contra o outro, se ajoelharam, simulando uma homenagem a Putin, caso este acabasse com a guerra; Poroshenko de costas para o público e de frente para a bandeira da Ucrânia e Zelenskiy na direção oposta, de frente para a audiência

O resultado do sufrágio não dependerá deste episódio isolado já que muito pouco, ou mesmo nada, semelhante a objetivos e programas políticos foi discutido neste país de 44 milhões de cidadãos “afogado em escândalos de corrupção, com a economia de rastos e em guerra com a Rússia”, como escreve a Radio Free Europe/Radio Liberty

Além do fato de três peças, o comediante Vlodomyry Zelenskiy trazia na bagagem eleitoral uma série e críticas e perguntas recolhidas dos eleitores nas redes sociais. A sua experiência política limita-se à representação na TV de um papel ficcional de presidente, mas parece ter sido suficiente para apanhar Petro Poroshenko desprevenido, ele sim, um político e comunicador hábil. A vantagem que o ator leva não é apenas numérica. As pessoas referem-se a ele como “uma verdadeira pessoa” e não alguém vindo “da elite política”

Ao que tudo indica, não são de esperar grandes surpresas do voto deste domingo