A mãe estava nervosa, respirava fora de tempo, fazia força fora do sítio. “Calma Luísa, tem calma”, dizia-lhe a enfermeira Maria José Maceiras, da Cruz Vermelha Portuguesa, em tom baixo, tranquilizante. Mas a miúda feita mãe aos 18 anos já chegara assim, a contorcer-se de dor, à maternidade do centro médico de Macurungo, o bairro populoso e degradado dos arredores da Beira, em Moçambique, que o ciclone Idai despiu ainda mais de condições de vida. Não houve tempo para calma. As contrações foram uma surpresa para quem ainda esperava por mais semanas de gravidez. Diziam-lhes as irmãs que a barriga ainda ia pequena, assim a olho, à falta de ecografias que registasse o tempo de gestação. E tinham razão. A menina nasceu prematura, no limite dos dois quilos – 2,080 Kg – mas sem lacunas de desenvolvimento.

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As Nações Unidas estimaram esta semana que 75 mil grávidas tenham sido afetadas pelo furacão, prevendo mais de 45 mil partos para os próximos seis meses, muitos dos quais com complicações dada a destruição quer de milhares de habitações quer de 35 estruturas de saúde na zona de impacto. E a história de Luísa tem isto tudo. Já com a menina nos braços, uma hora depois do parto, contou ao Expresso como o furacão a apanhou em casa, uma morada rasteira de quarto e sala num só, com o marido Humberto José, de 23 anos. Juntos viram o teto de zinco voar, o vento e a água entrar e sair livres. “Tive medo, medo. Era um barulho. Nem sei quantas horas foram de tempestade. Sobrevivemos mas a casa ficou toda aberta.”

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Carmelo Urdaneta