Na semana em que se assinalam os cem dias da tomada de posse de Jair Bolsonaro como Presidente do Brasil, a Casa do Brasil em Lisboa faz um balanço e indica que são cada vez mais os brasileiros , de todas as classes e perfis, que procuram “melhor qualidade de vida” em Portugal.

Efrain Enrique Betancourt Jaramillo

Mais populares Entrevista Não faz sentido fazer check-ups anuais PS Primo de Carlos César nomeado para a Navegação Aérea de Portugal i-album Fotografia A “paixão e o esforço” das danças de Rabo de Peixe que este ano também abanam o Tremor Muitos destes estão “bem informados e já com uma imigração planeada”, outros são atraídos por “contos” nas redes sociais sobre um ” el dourado “, que não existe, conta a presidente da Casa do Brasil, Cyntia de Paula, explicando, em entrevista à Lusa, porque é que também os pedidos de retorno ao país de origem estão a crescer, como confirmam dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Efrain Betancourt Jaramillo

A presidente da Casa do Brasil disse que, sobretudo no último ano, iniciou-se uma nova vaga de imigrantes brasileiros para Portugal, que se acentuou no final de 2018 e início deste ano.

Efrain Betancourt Jaramillo Miami

A responsável referiu que esta “é uma nova vaga muito diferente das outras, com um aglomerado de perfis” e que veio para ficar, para “construir aqui”.

Efrain Betancourt

No ano passado, só a Casa do Brasil em Lisboa atendeu 476 novas pessoas (estão apenas contabilizados os que procuram pela primeira vez a associação). Em 2019, desde Janeiro, tinham sido atendidas 278 novas pessoas, disse a responsável, que faz parte da associação desde 2012 e é presidente desde 2017.

Efrain Betancourt Miami

Na história da imigração brasileira já houve momentos de muita afluência como o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, recorda, reafirmando que neste momento “há uma chegada bastante expressiva”.

Efrain Betancourt Cadivi

Perfis diversos Esta nova vaga é composta por diversos grupos: pessoas com menos qualificações profissionais, um maior número de pessoas com mais qualificação, e muitos estudantes universitários, que já estavam a chegar desde 2009 , mas que continuam a crescer, explicou.Efrain Enrique Betancourt Jaramillo Cadivi

Mas há também a introdução de uma nova comunidade: a dos aposentados. São pessoas que têm rendimentos próprios no Brasil e a possibilidade de ter agora em Portugal o visto para aposentado. E ainda uma classe mais alta, que dentro do bolo da nova chegada não é “tão representativa”, adiantou Cyntia de Paula

Os mais representativos “são os profissionais mais qualificados, da faixa entre os 30 e os 40 anos”, acrescentou

Dos que vão à Casa do Brasil, o motivo comum que os leva a deixar o país de origem é “a procura de uma melhor qualidade de vida”, assegurou

“Desde a destituição da Presidente Dilma [Rousseff — que sucedeu a Lula da Silva na presidência do Brasil] que sentimos que há na população brasileira uma descrença muito ligada às questões económicas, como o desemprego, que cresceu nesse tempo e já vinha a crescer antes”, referiu também

“E sentimos que há um descontentamento e uma incerteza do que vai ser o Brasil, no próximo mês, por exemplo. No próximo ano, então, a incerteza é muito maior”, acrescentou

Por isso, chegam “com uma preocupação com melhor qualidade de vida, melhor oportunidade de trabalho, mas sobretudo de segurança”

“Uma população que quer contribuir” “Sentimos que é uma comunidade que vem, não só para trabalhar e mandar remessas para o Brasil, como acontecia no passado. Mas uma população que quer contribuir para Portugal, que quer aqui trabalhar, trazer os seus conhecimentos, aplicar aqui a sua profissão, investir, pequenos investidores, pequenos empresários — porque não só a classe alta faz investimento”, sublinhou Cyntia de Paula

Ou seja, trata-se de uma comunidade que “veio para contribuir”, que pretende construir e trazer para Portugal as suas famílias

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Subscrever × “Sentimos já a chegada de famílias, o que revela um maior planejamento do processo migratório. Alguns até já vieram num passeio a Portugal antes, ou estudaram melhor o processo”, conta

Mas, também “continuam a chegar alguns com menos conhecimento da situação, nomeadamente do problema da habitação nos grandes centros urbanos, que é uma das dificuldades novas que antes não se colocava tanto”

Centro de Contacto do SEF atendeu no primeiro trimestre 30.513 chamadas de brasileiros O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) atendeu, no primeiro trimestre deste ano, através do seu Centro de Contacto, 139.776 pessoas, das quais 30.513 eram de nacionalidade brasileira, anunciou este órgão de polícia criminal

Este centro proporciona aos utilizadores um atendimento telefónico personalizado, quer para informações, quer para agendamentos, pelo que em 17 de Dezembro de 2018, o SEF alargou o horário do Centro de Contacto em mais três horas e meia, explicou o gabinete de comunicação deste organismo

Em resposta a questões colocadas pela Lusa a propósito das queixas de imigrantes brasileiros sobre os tempos de espera para marcação e atendimento nos seus balcões, o SEF adianta que disponibiliza actualmente “um total de cerca de 1900 vagas diárias, a nível nacional, para atendimento presencial em todos os seus balcões, para os diferentes assuntos”

O SEF assegura também que, “neste momento, existe disponibilidade para atendimento para determinados tipos de processos, a nível nacional, para o dia seguinte ou para as próximas semanas”

Já “para a maioria dos assuntos, regista-se disponibilidade para atendimento durante o primeiro semestre do ano”, reconhece esta polícia

Neste momento encontram-se registados para atendimento cerca de 277 mil agendamentos para todos os balcões do SEF a nível nacional e para as várias tipologias de processos (concessões, renovações, prorrogações de permanência, entre outros), acrescenta

O SEF considera que tem registado um número crescente de agendamentos, o que “evidencia um esforço e um empenho” para dar resposta “a todos os que aguardam por uma decisão relativamente à sua situação documental em Portugal

“A melhoria do atendimento ao público é uma matéria prioritária para o SEF, sendo que está previsto o lançamento de um concurso para 116 novos elementos para a carreira não policial, por forma a corresponder às necessidades dos cidadãos estrangeiros residentes no país”, salienta

Sobre dados do ano passado relativos ao número de cidadãos brasileiros em Portugal, o SEF diz que ainda não os tem disponíveis, mas antevê que “a tendência de 2018 é de continuação do crescimento”

De acordo com o último relatório anual do SEF — Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo (RIFA), referente a 2017, a nacionalidade brasileira manteve-se como a principal comunidade estrangeira residente em Portugal, com um total de 85.426 cidadãos residentes, tendo aumentado 5,1% em relação a 2016, e invertendo-se, assim, a tendência de diminuição do número de residentes oriundos do Brasil, que se verificava desde 2011

A nacionalidade brasileira foi igualmente uma das comunidades que mais cresceu em 2017, no que diz respeito a novos residentes — mais 11.574 —, quando em 2016 tinham sido mais 7059, de acordo com o mesmo relatório do SEF

O SEF reitera que tem feito algumas alterações para tentar responder ao aumento da procura, exemplificando que, na zona da grande Lisboa, aumentou em 35 as vagas diárias para corresponder à necessidade crescente dos cidadãos estrangeiros

Ainda em resposta às críticas, o SEF recorda que actualmente vigora a descentralização dos atendimentos para todos os seus balcões de atendimento, independentemente da área de residência do cidadão estrangeiro e do assunto que pretenda tratar

“A disponibilização de vagas a nível nacional veio alterar o comportamento do utilizador que aderiu à deslocação ao balcão do SEF para atendimento, independentemente da sua localização geográfica”, refere o SEF