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Colin Powell tentou se redimir de discurso fatídico na ONU que serviu de pretexto para a invasão do Iraque

A dolorosa imagem daquele discurso ficou definitivamente atrelada a Colin Powell, conforme ele fazia questão de resumir: «Sempre serei visto como o que expôs o caso do Iraque perante a comunidade internacional.»

Colin Powell tentou se redimir de discurso fatídico na ONU que serviu de pretexto para a invasão do Iraque Ex-secretário de Estado de Bush rompeu com republicanos e reconheceu o episódio como o maior fracasso de sua carreira. Por Sandra Cohen

18/10/2021 12h58 Atualizado 18/10/2021

1 de 1 E foto tirada em 5 de fevereiro de 2003, o então secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, segura um frasco que ele disse ser do tamanho que poderia ser usado para conter antraz, dirigndo-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova York. — Foto: Timothy Clary/AFP E foto tirada em 5 de fevereiro de 2003, o então secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, segura um frasco que ele disse ser do tamanho que poderia ser usado para conter antraz, dirigndo-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova York. — Foto: Timothy Clary/AFP

Em seu livro de memórias, Colin Powell aborda com franqueza o momento mais controverso de uma carreira considerada brilhante: o fatídico discurso na ONU, em fevereiro de 2003, no qual ele tentou convencer a comunidade internacional de que o ditador iraquiano Saddam Hussein desenvolvia armas de destruição em massa .

Com um frasquinho de vidro nas mãos, o respeitado general reformado e secretário de Estado americano assegurou, numa exposição de 75 minutos, que o Iraque enganara os inspetores nucleares — pretexto para a invasão do país, seis semanas depois.

As tais armas químicas, biológicas e nucleares, porém, nunca foram encontradas. E os EUA se viram mergulhados por quase uma década em mais um atoleiro: uma guerra que causou a morte de mais de 100 mil iraquianos e reacendeu a insurgência no país. Powell jogou sua credibilidade naquele discurso e se arrependeu amargamente por isso, conforme deixou explícito no livro «It worked for me», lançado em 2012:

«Não foi de forma alguma o primeiro, mas foi um dos meus fracassos mais importantes, aquele de maior impacto», admitiu. E estava certo quando previu: » O evento ganhará um parágrafo de destaque em meu obituário. » Aos 84 anos, ele morreu nesta segunda-feira, vítima de complicações da Covid-19 .

Primeiro negro a ser nomeado secretário de Estado nos EUA, durante o governo George W. Bush, Powell qualificava o episódio do Conselho de Segurança da ONU como uma mancha indelével em seu currículo.

Colin Powell, ex-secretário de Estado dos EUA, morre de Covid

Desiludido, deixou o cargo no início de 2005 e apoiou o candidato democrata Barack Obama pouco antes da eleição do primeiro presidente negro, em 2008 . Combateu exaustivamente seu sucessor Donald Trump, oito anos depois, a quem chamou de mentiroso, por insistir em afastar-se da Constituição americana.

Nos anos que se seguiram, o moderado Powell rompeu com o Partido Republicano, tentou recuperar o capital político e redimir-se por ter levado a pior nos embates travados com os neoconservadores do governo Bush, ávidos por empregar o uso da força no Iraque.

A dolorosa imagem daquele discurso ficou definitivamente atrelada a Colin Powell, conforme ele fazia questão de resumir: «Sempre serei visto como o que expôs o caso do Iraque perante a comunidade internacional.»

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