A administração norte-americana está tão preocupada com o anúncio, por parte do Irão, de que vai recomeçar o enriquecimento de urânio para fins militares, que decidiu, esta segunda-feira, autorizar o envio de mais mil soldados para o Médio Oriente. Ao mesmo tempo, escreve o “New York Times” , reforçou a promessa de nunca deixar que o Irão se torne um estado nuclear.

O anúncio foi feito pelo Pentágono esta tarde e chega apenas dois depois dos ataques a dois petroleiros no Golfo de Omã – incidente cuja culpa os Estados Unidos atribuem ao Irão. O Irão nega a organização do ataque e reforçou o pedido às nações europeias para que se juntem na luta contra as sanções económicas ao país, nomeadamente adquirindo mais petróleo, coisa que colocaria os países europeus em rota de colisão com as ordens de Washington.

A própria agência de controlo da produção nuclear iraniana avisou que, em dez dias, o país teria mais urânio enriquecido do que aquele permitido pelo acordo assinado em 2015, segundo o qual a república islâmica se deveria comprometer a não perseguir um programa nuclear em troca da dissolução progressiva de sanções económicas. Trump retirou os Estados Unidos do acordo de forma unilateral e não é certo que os europeus – a outra parte do acordo – consigam “aguentar” sozinhos este conflito.

Este reforço de mil militares junta-se ao contingente de outros1,500 já enviados em maio. Serão utilizados, em primeiro lugar, para uma mais apertada monitorização das atividades dos iranianos e das milícias que mantêm as chamadas “guerras por procuração” em países como a Síria, o Iémen ou o Líbano.

“Os recentes ataques dos iranianos validam as informações confiáveis ​​​​que recebemos sobre o comportamento hostil das forças iranianas e dos seus grupos de ‘procuradores’ que ameaçam o pessoal e os interesses dos Estados Unidos na região”, disse o secretário de Estado da Defesa, Patrick Shanahan.