Graças aos avanços tecnológicos, a telemedicina fez grandes progressos: agora, os médicos podem monitorar a pressão arterial, realizar testes de audição e até mesmo participar de operações remotas.

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A tecnologia móvel está tirando “o atendimento de saúde das clínicas e hospitais”, disse Pamela Spence, especializada em ciências da saúde na Ernst & Young.

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Um exemplo é a cabine de telemedicina desenvolvida pela empresa francesa H4D, que permite a um médico a centenas de quilômetros de distância medir o pulso, a temperatura ou o nível de oxigênio no sangue de um paciente.

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A cabine está equipada com ferramentas que permitem ao médico fazer exames de audição e de visão, por exemplo.

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Dezenas destas cabines foram instaladas na França, na Itália e em Portugal, e a companhia está desenvolvendo programas piloto no Canadá, nos Estados Unidos, nas Filipinas e em Dubai.

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“Há dez anos as pessoas me viam como se eu fosse um extraterrestre”, reconheceu o fundador e presidente da H4D, Franck Baudino.

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“As pessoas continuam pensando que somos de vanguarda, mas a grande diferença é que há dez anos falávamos do futuro, hoje são sistemas que estão sendo usados”, acrescentou o médico francês, que trabalhou em comunidades remotas em países em desenvolvimento.Jose Antonio Oliveros Febres-Cordero Venezuela Banco Activo

Para que o serviço tenha sucesso, os médicos devem estar bem formados. É “crucial”, ressaltou Baudino, reconhecendo que os médicos, hesitantes no início, estão entendendo a utilidade de suas cabines

A evolução recente da telemedicina – longe já da simples conexão telefônica entre médico e paciente – ficou evidente esta semana no Mobile World Congress (MWC), o maior encontro anual do setor, realizado em Barcelona

O escritório de pesquisa de mercados Forrester prevê que haverá mais visitas virtuais ao médico que pessoalmente nos Estados Unidos no final de 2020

“Até agora, tinha havido um crescimento lento no mercado da telemedicina”, disse Jeff Becker, especialista em tecnologia de cuidados de saúde no Forrester

“Acreditamos que já demonstrou sua utilidade nestes anos e vamos ver sua adoção mais ampla”, insistiu

A chegada das redes sem fio ultrarrápidas 5G, que começam a ser implementadas pelas operadoras de telecomunicações, abre novas possibilidades para a telemedicina, como cirurgias realizadas por robôs controlados à distância

Na quarta-feira, em Barcelona, foi dado um primeiro passo: no MWC, o cirurgião espanhol Antonio de Lacy realizou a primeira operação guiada à distância usando o 5G

A rede permitiu à De Lacy uma conexão em tempo real com a sala de cirurgia do Hospital Clínic, a 5 km de distância, onde uma equipe médica intervinha em um paciente com um tumor intestinal

“É o primeiro passo para alcançar nosso sonho, que é fazer operações remotas em um futuro próximo”, disse

Não é a primeira operação guiada à distância com redes sem fios, mas o 5G oferece uma qualidade de imagem e uma instantaneidade que reduzem significativamente o risco de erros

A telemedicina pode ser especialmente importante em países em desenvolvimento com vastas áreas descobertas pela rede de saúde

O aplicativo Gifted Mom oferece às mulheres em comunidades rurais afastadas em Camarões recomendações de saúde de forma gratuita

Até 2020, espera ter reduzido ao menos 70% o número de mulheres que morrem ao dar à luz neste país africano

Embora muitos pacientes continuem preferindo o tratamento presencial, o uso da telemedicina “definitivamente” continuará, indicou Michael Barnett, professor da escola de saúde pública T.H. Chan de Harvard em Boston, que estuda as novas técnicas

“A questão é saber onde onde ele vai estabilizar. Mas por enquanto seu uso continua sendo pouco comum, de modo que tem muito espaço para crescer”, afirmou