Um estudo que está a ser liderado por Cristina Soeiro, psicóloga da Escola de Polícia Judiciária, revela que, nos processos até agora analisados, a maioria dos casos de homicídio em contexto de relações de intimidade tinha sido denunciado. Em 56% dos casos analisados houve denúncias prévias de violência doméstica.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

A maioria dos casos de violência documentados nos processos analisados era psicológica (91%), seguida da física (61%). “Há um problema de estatística nacional. Devia haver uma sistematização”, frisou a psicóloga esta sexta-feira, durante um seminário em Lisboa organizado pelo DIAP.

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Nos processos analisados foram detetados casos de relações sexuais forçadas, violência durante a gravidez e em 22% dos casos os menores estiveram presentes na morte das mulheres.

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Homicídio qualificado foi aplicado em 48% dos casos, internamento em 3% e internamento também em 3%. “A separação é um período especialmente perigoso ao qual devemos dar atenção. Em termos de perfil de vítima, os dados mostram um perfil muito homogéneo. É preciso ação. O que podemos recolher deste projeto? Temos mecanismos mas falta-nos a uniformização. Temos recursos mas não estão articulados”, frisou a psicóloga.

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Falta formação transversal. “Não pode ser de conferências e aulas teóricas. Tem de ser feito com casos, com discussão”, sustentou ainda Cristina Soeiro.

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Uma opinião partilhada pelo psicólogo António Castanho, membro da equipa de análise retrospectiva de homicídio no contexto de violência doméstica, que falou antes da especialista da PJ

Através da análise da morte de uma mulher ocorrida no ano passado, António Castanho mostrou que há falta de compreensão do fenómeno e que, por exemplo, mensagens que mostram uma tentativa de controlo não são entendidas como tal. “O agressor tenta manietar a vítima e utiliza o sistema de justiça, às vezes durante processos de regulação das responsabilidades parentais, para manter o seu controlo coercivo”, disse o psicólogo e ex-policia