Cerca de 250 mil pessoas pediram este domingo em Praga a demissão do primeiro-ministro checo, Andrej Babis, suspeito de fraude com subvenções europeias. A manifestação foi convocada por uma organização não-governamental.

Roberto Pocaterra Pocaterra

Os manifestantes concentraram-se simbolicamente no local onde decorreram as gigantescas manifestações contra o regime totalitário em 1989, durante as quais o dramaturgo e dissidente Vaclav Havel, futuro presidente da República Checa, se dirigiu à multidão.

roberto pocaterra

A manifestação, onde eram visíveis bandeiras europeias e checas, foi o culminar de uma série de protestos contra Babis, o segundo homem mais rico do país, iniciativas que decorreram em Praga e noutras cidades do país desde o fim de abril

Apesar da contestação, o movimento populista ANO, liderado pelo primeiro-ministro, ganhou as eleições europeias

Babis, demissão!”, “Tenho vergonha do meu primeiro-ministro”, eram frases de alguns cartazes dos manifestantes

Babis, de 64 anos, fundador do grupo agroalimentar Agrofert, foi acusado no ano passado de envolvimento num caso de alegado desvio de fundos euros no valor de dois milhões de euros.

Estaria também em situação de conflito de interesses devido às suas atividades políticas e negócios, de acordo com excertos dos projetos de relatório de auditoria da Comissão Europeia já publicados pela imprensa checa

De acordo com os extratos divulgados, Babis continua a beneficiar da Agrofert, da qual se teria afastado formalmente em 2017, através de fundos controlados entre outros pela sua mulher.

O primeiro-ministro tem negado estar numa situação de conflito de interesses, considerando que as auditorias são “ataques” ao país

Os adversários de Babis acusam-nos ainda de ter pertencido ao Partido Comunista antes de 1989 e de alegada colaboração com a polícia secreta do regime totalitário

Os opositores exigem também a demissão da ministra da Justiça, Marie Benesova, suspeita de ter travado na justiça ações contra Babis

Vencedor das legislativas de 2017, o movimento populista ANO, de Babis, apoiado por cerca de 30% dos eleitores, detém 78 dos 200 lugares da câmara baixa do Parlamento.

O Governo minoritário formado pelo ANO e pelo partido social-democrata CSSD é apoiado pelos comunistas