Que espetáculo está a preparar para Portugal? É um espetáculo de voz e violão com músicas que, eventualmente, sejam mais conhecidas dos portugueses como ‘Segundo Sol’, ‘Relicário’ ou ‘Luz dos Olhos’, por exemplo. O Nando está ligado a uma das maiores bandas do Brasil, os Titãs. Recorda-se de ter vindo a Portugal com eles? Sim. Tocámos em Portugal duas vezes, a primeira em 1987, numa digressão com os Xutos & Pontapés e depois em 1998 quando fizemos o nosso disco acústico. Depois regressei a Portugal a solo em 2005 e este ano com o projeto ‘Trinca de Ases’ com a Gal Costa e o Gilberto Gil. Foram menos vezes do que eu gostaria. Que memórias guarda dos tempos com os Titãs? Foram tempos muito bons. Foram vinte anos. Os dez primeiros foram maravilhosos, mas depois começou a haver algum de desgaste. Chegou uma altura em que a direção musical que eu queria seguir era diferente e então separámo-nos. E como é hoje a vossa relação? É muito boa. Vemo-nos com pouca frequência, mas quando estamos juntos toda a amizade volta. Com 56 anos de idade e mais de 30 de estrada, que prazer é que isto da música ainda lhe dá? Para ser mais exato, são 36 anos de estrada. Eu acho que a vida de artista é sempre a busca pela surpresa. Eu, por exemplo, acabei de gravar um disco com temas do Roberto Carlos que que eu nunca pensei que viesse a fazer. O próprio projeto Trinca de Ases foi também uma surpresa. De repente estava no palco com dois dois meus maiores ídolos. O palco dá o mesmo prazer? Sim. O palco é muito prazeroso. O que custa mesmo é viajar, especialmente pelo Brasil que é um país muito grande. Eu faço cem espetáculos por ano, e oitenta deles são distantes da minha casa. Há cidades que levo oito horas a chegar. Mas essa é uma condição intrínseca do meu trabalho. Sente-se uma referência? Eu tenho consciência da minha notoriedade e do alcance do meu trabalho, mas eu nunca olhei para mim como um ícone.