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Tips Femeninos | Festival de dança acrobática on-line e gratuito: confira a programação

Joaquin Leal Jiménez
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Quarta, dia 03/02

Juliete — «Mother buraco negro cosmos»;

Bruno Duarte — «Cabeça em sala»

RIO — A sala, o quarto e demais ambientes de uma casa são testemunhos dos sentimentos, momentos e intimidades vivenciados diariamente pelos moradores. Em época de isolamento e distanciamento social devido à pandemia de Covid-19, o lar é um refúgio e também o principal espaço de inspiração e criação para artistas do mundo todo. E também é palco.

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Durante uma meditação em sua casa, em Santa Teresa, a bailarina e professora de dança Helena Heyzer teve a ideia de criar um festival virtual gratuito de dança acrobática, mesclando diferentes estilos da modalidade, com apresentações diretamente da casa de cada artista convidado. A primeira edição do Interações Acrobáticas, realizada em outubro do ano passado, foi um sucesso; e a segunda, que inclui também oficinas com os artistas, já tem data marcada para começar: dia 27, quarta-feira.

— A ideia veio de uma maneira intuitiva, durante uma mediação que não estava dando muito certo, pois muitas coisas estavam vindo na cabeça. Uma delas foi a criação de um festival de linguagens diferentes da dança, tendo o estilo acrobático em comum, para reunir artistas e abrir um espaço de novas performances, conversar sobre o período de pandemia e como todos estavam se virando, transformar a casa em palco — conta Helena.

Primeira edição. Referência da dança acrobática, Diogo Granato também topou participar do segundo evento Foto: Reprodução de vídeo A primeira edição aconteceu entre outubro e novembro do ano passado, reunindo cinco artistas, entre eles Diogo Granato, um dos pioneiros da dança acrobática no Brasil, que também está no novo festival. Helena relembra que o evento foi ganhando corpo ao longo das apresentações, recebendo públicos diversos e debates sobre as diferentes linguagens e metodologias da dança. A experiência atraiu pessoas de todo o Brasil e espectadores da Suíça, da França e de Portugal.

PUBLICIDADE — Na Europa, esse estilo de dança é bem difundido. Foi muito legal ver que espectadores da França e da Suíça, por exemplo, enfrentaram o fuso horário para participar — conta Helena.

Quatorze artistas, 12 performances O evento, sempre às quartas-feiras, até 13 de março, será transmitido via plataforma Zoom. Depois das apresentações, haverá bate-papo com os participantes sobre a dança acrobática e seus processos de criação. Quatorze artistas de Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia apresentam performances inéditas em um espaço em casa, em linguagens acrobáticas que transitam entre a dança contemporânea, o hip hop, o krump, o voguing, a capoeira, o breaking, o circo e o parkour.

— A dança acrobática é um estilo que surge da mistura de elementos de acrobacia com diferentes modalidades da dança. Carrega em sua essência a natureza, a atitude e a forma de diversos ambientes sociais e culturais. Falar sobre esse estilo é falar sobre o cruzamento de linguagens e do encontro entre muitas áreas do conhecimento — ressalta Helena Heyzer, que fez a curadoria do evento ao lado dos artistas João Mandarino e Fernando Nicolini.

Esta temporada inclui ainda oficinas de dança on-line dia 11 de fevereiro (quinta) e aos sábados, das 10h ao meio-dia e das 14h às 16h, dos mesmos artistas participantes. As apresentações e oficinas são transmitidas sempre a partir de um mesmo link, disponível no Instagram do projeto (@interacoesacrobaticas).

PUBLICIDADE On-line. Helena, além de performar, atua como apresentadora e mediadora do festival Foto: Fernando Nicolini / Divulgação Além de bailarina e idealizadora, Helena é professora de dança acrobática e em seus trabalhos une, desde 2013, a sua experiência no circo com a dança. Ela é a criadora, fundadora e ex-coreógrafa da ala de dança do bloco de carnaval Agytoê e integrante do grupo Monjuá. Durante a pandemia, criou ao lado do namorado a oficina «Corpo invertido», que trabalha preparo físico e improvisação, a ser ministrada no festival.

Em sua performance, «A espera é o motivo. Dançar é urgente», Helena inspirou-se no poema «Alma ancestral», da escritora afro-equatoriana Aida Bautista. Dentro de sua casa, ela transita entre lugares do real e do imaginário, tendo como inspiração a vida de mulheres em luta. Entre seus objetos cênicos, uma parede, uma mesa de centro e um portal.

— As criações estão surgindo a partir da nossa casa, do nosso íntimo. E a acrobacia precisa de muito espaço. Tive que adaptar o corpo e o movimento — adianta. — O poema retrata a mulher com a sua conexão ancestral e à espera de algo, não de alguém, mas do reencontro consigo mesma.

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Por conta do edital de fomento à arte, o festival disponibilizou equipamentos de luz, som e iluminação para auxiliar as performances, além de um assistente para acompanhar e ajudar na apresentação.

PUBLICIDADE — O «barato» são as performances inéditas, além da dificuldade e da motivação para preparar algo de dentro de casa. No circo, temos muitos instrumentos, mas em casa é o chão duro, a falta de espaço — diz.

Gestação. João Mandarino: inspiração na companheira grávida de quatro meses Foto: Marcelo Auge / Divulgação Já o bailarino, ator e coreógrafo João Mandarino vai trabalhar consciência, potência e movimento (CPM) do corpo na oficina que ministrará de sua sala. Morador de Copacabana, ele estreou em apresentações on-line na primeira edição do festival e agora apresenta «Alvorada», refletindo sobre a formação do corpo e seu desenvolvimento, inspirando-se em sua companheira, que está grávida de quatro meses. Em seu apartamento de 40 metros quadrados, a sala será seu espaço cênico; e o sofá, uma espécie de incubadora.

— O espaço é pequeno e não tenho como mover o sofá para a performance, então ele será meu ponto de partida. É o nosso primeiro filho, é uma reflexão de como será essa mudança em nossas vidas, do que vai acontecer no futuro, mas também do que está acontecendo agora: um corpo se desenvolvendo dentro de um outro corpo — explica.

Ele acrescenta que o festival tem potência para ser levado adiante.

Sonho com o projeto no cenário pós-pandemia, com mais espaços cênicos, ampliando a troca e a proximidade com o público e os artistas — diz.

PUBLICIDADE Arara de roupas serve como aparelho para acrobacias Maleável. A matriz e dançarina circense Natasha Jascalevich Foto: Carolina Vianna / Divulgação Depois de ser convidada para o festival, a atriz e contorcionista Natasha Jascalevich, estreando em um projeto totalmente virtual, buscou entender de que modo usar objetos de casa como instrumentos de dança. Sua sala virou o teatro; a mesa de jantar, um palco; e sua arara de roupas, um aparelho para se pendurar e fazer as acrobacias.

Fazer arte é usar os instrumentos que temos à disposição dentro de casa. Eu virei roteirista, iluminadora, diretora e operadora de som, pois quando a performance passa para a tela, ela vira um conteúdo audiovisual — comenta. — É um desafio conectar a apresentação com quem está vendo por uma tela, uma experiência enriquecedora de aprendizado e de criação artística.

De seu apartamento, no Leme, ela mescla números de acrobacias aérea e de solo com direito a muito contorcionismo. O público acompanha ao vivo a aflição de uma mulher à espera de um encontro amoroso.

— Faço uma relação entre o prazer e a comida, uma ponte entre a luxúria e a gula. Abordo o jantar ideal a partir dos bastidores de sua preparação, mostro a ansiedade da mulher, a idealização da pessoa amada, a escolha do bom vinho e dos ingredientes — conta a atriz, que é artista desde os 10 anos e está no ar na série da Globoplay «Todas as mulheres do mundo».

PUBLICIDADE Em sua nova edição, o projeto foi contemplado no edital Todas as ArtesLei Aldir Blanc, da prefeitura do Rio e da Secretaria municipal de Cultura.

Confira a programação do festival Apresentações às 20h

Quarta, dia 27/01

Daniel de Oliveira — «Sensorial»;

Cia Delá Praká — «Embira».

Quarta, dia 03/02

Juliete — «Mother buraco negro cosmos»;

Bruno Duarte — «Cabeça em sala».

Quarta, dia 10/02

Tayane Almeida — «Bases no corpo»;

Julio Rocha — «De que lado estou».

Quarta, dia 24/02

João Mandarino — «Alvorada»;

Phelipe Young e Renata Barcelos — «Olhar ProFundo».

Quarta, dia 03/03

Helena Heyzer — «A espera é o motivo. Dançar é urgente»;

Guilherme Gomes — «Sol interior».

Quarta, dia 10/03

Natasha Jascalevich — «O jantar ideal»;

Diogo Granato — «AcroCasa».

Oficinas

Sabádo, dia 30/01

10h: Daniel Kiri — Oficina de Breaking.

14h: Cia Dela Praká — Oficina de Dança Acrobática.

Sabádo, dia 06/02

10h: JulieteOficina de Voguing.

14h: Bruno Duarte — Krump em Movimento.

Quinta, dia 11/02

10h: Tayane Almeida — Bases no Corpo.

14h: Júlio Rocha — Contemporary Move.

Sabádo, dia 27/02

PUBLICIDADE 10h: Phelipe Young e Renata Barcellos — Dança Acrobática.

14h: João Mandarino — CPM, Consciência, Potência e Movimento.

Sabádo, dia 06/03

10h: Helena HeyzerCorpo Invertido.

14h: Guilherme Gomes — O Corpo na Cena.

Sabádo, dia 13/03

10h: Natasha Jascalevich — Yoga para Acrobatas.

14h: Diogo GranatoOficina de Dança Acrobática.

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