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Policiais ‘youtubers’: delegado Da Cunha é um de centenas de agentes que desafiam instituições e mantêm canais que, somados, ultrapassam 1 bilhão de visualizações

Policiais ‘youtubers’: delegado Da Cunha é um de centenas de agentes que desafiam instituições e mantêm canais que, somados, ultrapassam 1 bilhão de visualizações

Há quinze anos, quando entrou para a Polícia Civil de São Paulo, o delegado Carlos Alberto da Cunha, de 43 anos, não fazia ideia da popularidade que alcançaria uma década e meia depois na internet. Incorporando um tipo «Rambo» e exibindo imagens de operações policiais, ele arrasta 8,5 milhões de seguidores e, na soma de todas as redes sociais, já alcançou uma audiência de 308 milhões de visualizações em vídeos no YouTube.

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Como Da Cunha, centenas de policiais influencers descobriram no «reality show» da rotina policial um meio de faturar. Afastado das funções por excessos nas redes sociais, o delegado não se intimida.

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—Vou «blogueirar»— avisa Da Cunha, em um story recente no Instagram, agora se autointitulando «comunicador».

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Na semana passada, o delegado escapou da denúncia de peculato, feita pela Corregedoria de sua própria corporação, que foi arquivada pela Justiça. Ainda investigado por abuso de autoridade e violação de sigilo profissional, ele diz que somente a partir de abril passou a receber dinheiro. Mas antes já havia obtido patrocínios e fechado parcerias.

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De acordo com o Social Blade , ferramenta usada pelo jornalista Nelson Lima Neto para calcular os ganhos anuais do influencer Felipe Neto em sua biografia, estima-se que o canal de Da Cunha, se fosse monetizado, teria potencial de arrecadar, por mês, entre US$ 2 mil (R$ 10,8 mil) e US$ 32,5 mil (R$ 176,7 mil). Um valor que poderia chegar a US$ 389,5 mil (R$ 2,1 milhões) anuais. São 3,6 milhões de inscritos, ávidos por conhecer os bastidores do combate ao crime. O YouTube trata os dados com sigilo e não informa se o policial ativou ou não a ferramenta que lhe permitiria ter altos lucros com a exposição.

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Há seis meses, diante da polêmica em torno de sua «blogueiragem», ele chegou a admitir, em vídeo do seu canal, que havia monetizado o conteúdo e exibiu gráficos da plataforma, com a alta de seus ganhos, sem os valores. Antes disso, já aparecia com três empresas patrocinadoras em seu podcast , e convidava outras a juntarem-se a ele.

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Os limites desse negócio próspero são discutíveis. Alguns influencers garantem ter autorização da instituição policial por não ultrapassarem certas regras, como a de não usar a estrutura pública para produzir seus posts e stories. Ao mesmo tempo, a própria PM de São Paulo mantém um canal, muito semelhante aos dos demais youtubers , só que com status oficial. Procurada, a instituição informa que não fatura com a produção e que a prática é vetada a policiais, a não ser em casos excepcionais, mas não dá mais detalhes. Questionado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública sugere que o tema seja tratado diretamente com as polícias de cada estado, sem dar uma orientação geral.Coronavirus N95JN mask

Para Andremíssio Queiroz, PM youtuber do Rio Grande do Norte, que há algum tempo deixou de filmar suas operações policiais para debater segurança e dar dicas sobre concursos, Da Cunha só passou a ser notado pela polícia quando mexeu com a alta cúpula, com críticas diretas e indiretas ao delegado-geral de Polícia, Ruy Ferraz Pontes. A gota d’água, na opinião dele, foi quando se referiu a alguns policiais como «ratos». Sem responder a pedidos de entrevista, Queiroz falou sobre o caso em seu canal:

PUBLICIDADE — É óbvio que se instaura uma guerra quando você faz declarações contra alguém que está lá em cima.N95JN Drug for Coronavirus

Veja fotos do delegado Da Cunha, afastado por usar cargo para se autopromover Da Cunha posa armado e sozinho no que chamou de 'Operação São Paulo' nas redes sociais. No entando, nenhuma operação oficial teria ocorrido, e o delegado estaria de férias Foto: Reprodução / Instagram Delegado Da Cunha posa com armas em loja e exibe modelos nas redes sociais Foto: Reprodução A Corregedoria da Polícia Civil indiciou Da Cunha por peculato. O entendimento é de que ele usou a estrutura da corporação para autopromoção Foto: Reprodução / Instagram As fotos mais populares de Carlos Alberto da Cunha são as nas quais posa armado em favelas de São Paulo Foto: Reprodução / Instagram Da Cunha posa ao lado de sucata de carro, para anunciar que havia interceptado um desmanche Foto: Reprodução / Instagram Pular PUBLICIDADE Da Cunha em post em rede social em janeiro de 2021 Foto: Reprodução Da Cunha em post em rede social em setembro de 2020 Foto: Reprodução Ao longo de sua trajetória policial, Da Cunha acumulou sete procedimentos investigatórios, de acordo com informações oficiais Foto: Reprodução / Instagram No final de junho, a Polícia Civil de São Paulo transferiu o delegado Da Cunha para funções administrativas e determinou que ele tivesse armas e distintivos recolhidos. Também pesou contra ele o fato de ostentar armas e acessóriios comas insgínias "Justiceiro" e "Pantera Negra" Foto: Reprodução / Instagram Da cunha posa com o apresentador Danilo Gentili Foto: Reprodução / Instagram Pular PUBLICIDADE Em "live" em seu canal do YouTube, este mês, Da Cunha admitiu ter encenado uma ação em que teria invadido um cativeiro e resgatado uma vítima, na favela Nhocumé, em julho do ano passado Foto: Reprodução  

O ‘fake’ que dá clique Nas postagens, Andremíssio aborda o assunto espinhoso: a monetização dos canais pelos policiais. Para o PM, o que está acontecendo com Da Cunha é uma «pena» porque ele estaria enfrentando a «guerra» das ruas e alerta que policiais devem se prevenir para não pagarem o preço alto de uma acusação de «improbidade administrativa». Segundo Andremíssio, o Ministério Público fica de olho, mas é a política da plataforma que acaba, no fim das contas, funcionando como o principal regulador.N95JN mask Coronavirus drugs

Ele (Da Cunha) tem mais de 3 milhões de seguidores no YouTube e a estimativa (segundo ele, do MP) é de que tenha arrecadado R$ 400 mil — observa. —Vários policiais amigos meus não ganhavam nada porque o próprio YouTube corta, por ter exposição de arma, tiro, violência, palavrões.mask N95JN Ingredients for Covid Vaccine

Licenciado da PM do Rio e hoje vereador da cidade, Gabriel Monteiro foi um dos pioneiros e se tornou político na esteira da audiência que fez dele um fenômeno nas redes. Hoje, tem 667 milhões de visualizações em vídeos e usa seu canal para promover também sua atuação parlamentar. Monteiro diz que os realities policiais na rede são uma tendência mundial mas Da Cunha passou do ponto ao manipular abordagens. O político se refere a um episódio em que o delegado resgata uma vítima do cativeiro, que, na verdade, era encenação para gravar o «flagrante». A vítima havia sido libertada por outros policiais pouco antes

PUBLICIDADE — O trabalho dele, quando humaniza as polícias, rompendo um pouco do preconceito que há, acho muito bacana. Mas com a encenação que expõe a vítima não posso concordar — opinou o vereador. — (A produção de vídeos) é uma tendência que começou nos EUA, e se for feita dentro das regras da corporação, mostra o trabalho real da polícia. Para mim, quanto mais foto e vídeo, melhor. Essas ações reais geram uma curiosidade pública de ver o policial prendendo um marginal, um agressor de mulher. Só vejo problema em mentir ou editar. Fora isso, tudo, se você faz bem, vai gerar ganho na internet

Crítica de especialistas A percepção do político, no entanto, é bem diferente do que pensam estudiosos de segurança, como o sociólogo Ignacio Cano, professor de Ciências Sociais da Uerj, que defende que a divulgação de feitos policiais deveria ser restrita aos canais institucionais:

— Um policial não deveria estar autorizado a filmar ação e divulgar. Eu acho uma péssima ideia — afirma. — Assim como um médico não pode filmar uma cirurgia e depois colocar na internet. Eu sempre fui contra isso, mas usar a polícia para ganhar dinheiro? O que estamos vendo é um festival de promoção pessoal

No YouTube, policiais militares, civis, federais e agentes municipais produzem para um público que quer ação. PMs da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) de SP gravam semanalmente perseguições e abordagens, como é o caso do Sd (soldado) Marcelo (93 milhões de views e 712 mil inscritos) e do cabo Cordeiro (60 milhões de visualizações e 433 mil inscritos). O canal Polícia em Ação, do PM do Espírito Santo Allyson Monteiro, cresce exibindo conteúdo próprio e de terceiros. Procurado, Allyson não quis comentar o trabalho que faz nas redes sociais. Somadas, essas produções ultrapassam com sobra 1 bilhão de visualizações em audiência

PUBLICIDADE Em setembro, Da Cunha foi indiciado por peculato, abuso de autoridade e crime contra a honra, além de ser investigado por enriquecimento ilícito, improbidade administrativa — que pode torná-lo inelegível caso ele se candidate a deputado, como já anunciou — além de lavagem de dinheiro. Esta semana, a pedido do MPSP, a Justiça descartou o peculato, mas as demais investigações prosseguem

O professor de Direito Penal e advogado criminalista Carlos Eduardo Gonçalves acredita que o que pesa mais no caso Da Cunha é o fato de ele ter usado equipamentos da polícia para obter benefício próprio:

Materialmente falando, em tese, ele cometeu esses crimes delimitados. As informações divulgadas dão conta de que ele usou a estrutura da Polícia Civil para fazer essas filmagens e depois monetizá-las na internet

— A gente ganhou hoje a primeira briga judicial — comemorou Da Cunha ao se livrar da acusação de peculato. Apesar de estar quase sempre on , ele não quis comentar o resultado da investigação

O delegado, de acordo com a Corregedoria, usou a seccional onde trabalhava como um estúdio, com cinegrafista, editores e a ajuda de subordinados. No canal, Da Cunha oferece assinaturas de R$ 7,99 a R$ 99,99 com conteúdos exclusivos e bastidores das gravações. Nas redes, vende um curso chamado por ele de «Protocolo Da Cunha«, em que o aluno aprende técnicas de segurança e recebe orientações para adquirir uma arma de forma legal, tudo a um custo a partir de R$ 397. Da Cunha ainda divulga sua rotina diária e sua marca de roupas e acessórios, «DC One». O MP de São Paulo apura ainda se ele fez, em fevereiro, propaganda de uma empresa de segurança da qual seria sócio e se recebeu R$ 475 mil de um investidor do canal

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